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Olhar a Adolescência de uma forma diferente

Tens adolescentes em casa ou terás em breve ?

Estás a começar a sentir o teu filho e reclamar mais independência, a afastar-se mais de ti, a querer estar mais tempo com os amigos, ou a querer estar mais sozinho, a revirar os olhos quando pedes alguma coisa, a não ouvir nada do que dizes? … Pois … parece que tens um adolescente em casa, e agora? 

Tenho falado várias vezes sobre a adolescencia, porque também tenho filhas adolescentes. Na minha rubrica da Radio AVA já comentei várias vezes a questão da adolescência. Hoje quero relembrar algumas coisas que acho essenciais qualquer pai de adolescente conhecer.

Queres olhar para a adolescência de uma forma diferente?

O meu objetivo é desmistificar um pouco a adolescência. Temos tendência a ser preconceituosos com os adolescentes : é a idade do armário, são todos mal criados, faltam ao respeito, não ouvem nada, não sabem lidar com a frustração, não ligam aos pais … arriscam-se demais, não percebem as consequências do que fazem…

Uma das coisas que me ajudou a mudar este mindset, foi perceber as razões biológicas por trás disto. Estudar e compreender um pouco de como funciona o cérebro da criança e do adolescente permitiu-me perceber melhor a necessidade que os adolescentes têm de apoio, amor e aceitação para poderem lidar com as transformações brutais da adolescência.

A adolescência é um período de muitas transformações, transformações físicas, psicológicas, emocionais… é um período marcada pela intensidade com que tudo se vive: o adolescente vibra intensamente, ama intensamente, sofre intensamente, ressente-se intensamente…

Vou voltar a falar do Dr. Daniel J. Siegel, porque é uma referência para mim, Neuropsiquiatra e autor de vários livros sobre o desenvolvimento do cérebro humano e em particular da criança e adolescente (http://www.drdansiegel.com/), fala-nos do cérebro do adolescente e explica de forma muito clara aquilo a que chama a Essência da adolescência (Essence of adolescence) – as 4 carateristicas do cérebro do adolescente.

  •  Emotional Spark: Esta intensidade emocional com que tudo é vivido tem origem em alterações de estrutura do próprio cérebro. Durante a adolescência o cérebro sofre uma remodelação que terá por objetivo principal um cérebro mais integrado e uma comunicação neuronal mais eficiente.
  • Social Engagement: Compromisso social : Esta necessidade faz também parte da evolução natural deste período. Para o adolescente, os seus pares tornam-se uma força motriz na sua vida e o relacionamento entre pares adquire uma importância extrema para a vivencia das múltiplas experiências que procuram. Nesta fase de transição e mudança o que o adolescente procura nos pais é apoio, orientação e acima de tudo amor!
  • Novelty: Novidade : Esta vontade de procurar e criar experiências novas, vem da necessidade de satisfazer as alterações nos circuitos de dopamina do cérebro (circuitos de recompensa). Como pais a nossa responsabilidade é ajudá-los a encontrar maneira de viverem e experienciarem coisas novas ensinando-os a pensar nas consequências das ações e na forma de reduzir riscos (não estão preparados para o fazer sozinhos).
  • Creative Exploration: Exploração criativa : À medida que o seu cérebro se torna mais integrado e maduro o adolescente aumenta a sua capacidade de pensar conceptualmente e raciocinar abstratamente questionando, refletindo e ganhando novas perspetivas do seu papel e do mundo à sua volta.

Compreender estas alterações na estrutura e função do próprio cérebro ajuda-nos a compreender melhor a mente e o comportamento do adolescente. 

É natural que a maioria dos pais se sintam inseguros. Têm medo das escolhas dos filhos e das consequências que daí advenham e na sua maioria não se sentem preparados para agir de forma diferente do que faziam até aqui. As estratégias que funcionavam quando os filhos eram crianças não funcionam agora.

A queixa mais frequentes dos pais e as dos filhos são perceções diferentes da mesma realidade :

Os pais dizem que não conseguem estabelecer uma comunicação eficaz com os filhos, e nem sabem muitas vezes que tipo de abordagem utilizar para o conseguir: os filhos não os escutam, não aceitam um não, não sabem lidar com a frustração, querem tudo sem esforço, não dão valor a nada, não agradecem nem respeitam a autoridade, vivem num mundo só deles …

E os filhos dizem que … ninguém me ouve, ninguém me entende… só me dizem o que fazer e não me perguntam o que quero… nada do que faço é suficiente… não me dão espaço…

Como podemos melhorar a relação com os nossos filhos adolescentes aplicando os valores base da Parentalidade Consciente?

Quero salientar 2 valores : o igual valor e a responsabilidade pessoal

O princípio do Igual Valor diz-nos que as tuas opiniões, as tuas necessidades, os teus desejos e as tuas emoções não têm mais valor do que os do teu filho. Nem mais, nem menos!

O que os nossos filhos não precisam, nesta fase, é de um adulto a invocar o estatuto de saber mais, a ensinar e dar lições e dizer ao adolescente o que tem que fazer. Fundamental é saber escutar o que os nossos filhos têm para dizer, praticando uma escuta ativa e essencialmente ouvir com o coração.

Queremos educar com o coração, precisamos ouvir com o coração, ouvir para compreender não para responder.

Ouvi-los e caminhar com eles, lado a lado. Deixá-los aprender por si, mas estando presentes para o apoio necessário e, como adultos assumir a responsabilidade acrescida de garantir a sua integridade física e psicológica. Aqui é preciso a CONFIANÇA! Mostrar a nossa confiança nos nossos filhos.

Quando educamos no princípio da Responsabilidade Pessoal ensinamos a criança a assumir responsabilidade pelas suas emoções, pelas suas ações e pelas suas escolhas. Ajudamos a desenvolver um conjunto de habilidades que serão extremamente importantes nos anos da adolescência. Quanto mais conseguirem assumir a sua responsabilidade pessoal, menos serão vítimas da influência e pressão dos outros.

Nesta fase percebemos como uma adolescência saudável começa a ser trabalhada, sem dúvida, na infância e como é importante todo o trabalho feito com a criança na promoção de uma autoestima saudável, no investir na qualidade da relação e no educar a criança para ser emocionalmente inteligente!

Um adolescente com uma autoestima saudável sabe dizer que não quando é necessário, sabe exprimir os seus limites pessoais, ser mais autónomo e mais facilmente lidar com as suas emoções….

Desafio : O desafio que te proponho é que faças a tua reflexão baseada nestas características do cérebro do adolescente o percebas a diferença de perceção entre ti e o teu filho numa mesma situação.

CONVITE : Inscreve-te no webinário do próximo dia 2 de Março Tenho um adolescente em casa e agora?

https://fatimagouveiasilva.com/webinario-tenho-um-adolescente-em-casa-e-agora/Dr

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