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Tenho um adolescente em casa, e agora?

como funciona o cerebro do adolescente

Encaras a adolescência como o teu maior desafio enquanto mãe? Respira fundo e vamos conversar um pouco…

Neste momento tenho 2 adolescentes em casa, as minhas gurus e maiores inspirações. A mais velha já tem19 anos, mas a mais nova com 13 anos está a entrar na chamada fase “critica” da adolescência.

Mesmo já tendo vivido a experiência anterior de uma adolescente sinto que o que me faz realmente encarar esta nova etapa de uma forma mais tranquila é a maior consciência que tenho das minhas intenções enquanto mãe.

Por um lado, a prática da Parentalidade Consciente, das atitudes que integrei ao longo do tempo no meu dia a dia e todas as muitas ferramentas que fazem parte da minha bagagem, permitem-me uma forma de estar muito mais serena a lidar com mais este desafio. Um desafio que não é menor, é apenas diferente, porque diferente é também a experiência, ou não seja cada adolescente um ser único e especial, e cada relação, com cada uma das minha filhas, também única e especial. Cada uma procurando, à sua maneira, descobrir a sua identidade, o seu papel, e a diferença que pode fazer no mundo, cada uma manifestando as suas necessidades e valores, as suas dúvidas e inquietações…

Por outro lado, estudar e compreender como funciona o cérebro da criança e do adolescente permitiu-me perceber melhor a necessidade que os adolescentes têm de apoio, amor e aceitação para poderem lidar com as transformações brutais da adolescência.
A adolescência é um período de muitas transformações, transformações físicas, psicológicas, emocionais… é um período marcada pela intensidade com que tudo se vive: o adolescente vibra intensamente, ama intensamente, sofre intensamente, ressente-se intensamente…
Daniel J. Siegel, Neuro psiquiatra e autor de vários livros sobre o desenvolvimento do cérebro humano e em particular da criança e adolescente, fala-nos do cérebro do adolescente e explica de forma muito clara aquilo a que chama a Essência da adolescência (Essence of adolescence).
ESSENCE é um acrônimo que representa os quatro aspetos fundamentais da transformação do cérebro nesta fase.

  1. Emotional Spark: Esta intensidade emocional com que tudo é vivido tem origem em alterações de estrutura do próprio cérebro. Durante a adolescência o cérebro sofre uma remodelação que terá por objetivo principal um cérebro mais integrado e uma comunicação neuronal mais eficiente.
  2. Social Engagement: Esta necessidade faz também parte da evolução natural deste período. Para o adolescente, os seus pares tornam-se uma força motriz na sua vida e o relacionamento entre pares adquire uma importância extrema para a vivencia das múltiplas experiências que procuram. Nesta fase de transição e mudança o que o adolescente procura nos pais é apoio, orientação e acima de tudo amor!
  3. Novelty: Esta vontade de procurar e criar experiências novas, vem da necessidade de satisfazer as alterações nos circuitos de dopamina do cérebro (circuitos de recompensa). Como pais a nossa responsabilidade é ajudá-los a encontrar maneira de viverem e experienciarem coisas novas ensinando-os a pensar nas consequências das ações e na forma de reduzir riscos (não estão preparados para o fazer sozinhos).
  4. Creative Exploration: À medida que o seu cérebro se torna mais integrado e maduro o adolescente aumenta a sua capacidade de pensar conceptualmente e raciocinar abstratamente questionando, refletindo e ganhando novas perspetivas do seu papel e do mundo à sua volta.

Compreender estas alterações na estrutura e função do próprio cérebro ajuda-nos a compreender melhor a mente e o comportamento do adolescente.

É natural que a maioria dos pais se sintam inseguros. Têm medo das escolhas dos filhos e das consequências que daí advenham e na sua maioria não se sentem preparados para agir de forma diferente do que faziam até aqui. As estratégias que funcionavam quando os filhos eram crianças não funcionam agora.

A queixa mais frequente dos pais é que não conseguem estabelecer uma comunicação eficaz com os filhos, e nem sabem muitas vezes que tipo de abordagem utilizar para o conseguir: os filhos não os escutam, não aceitam um não, não sabem lidar com a frustração, querem tudo sem esforço, não dão valor a nada, não agradecem nem respeitam a autoridade, vivem num mundo só deles…

E as queixas mais frequentes dos filhos? Ninguém me ouve, ninguém me entende… só me dizem o que fazer e não me perguntam o que quero… nada do que faço é suficiente… não me dão espaço…

Mesma realidade, diferentes perceções!

Como podemos melhorar a relação com os nossos filhos adolescentes aplicando os valores base da Parentalidade Consciente?
O princípio do Igual Valor diz-nos que as tuas opiniões, as tuas necessidades, os teus desejos e as tuas emoções não têm mais valor do que os do teu filho. Nem mais, nem menos!
O que os nossos filhos não precisam, nesta fase, é de um adulto a invocar o estatuto de saber mais, a ensinar e dar lições e dizer ao adolescente o que tem que fazer. Fundamental é saber escutar o que os nossos filhos têm para dizer, praticando uma escuta ativa e essencialmente ouvir com o coração. Ouvi-los e caminhar com eles, lado a lado. Deixá-los aprender por si, mas estando presentes para o apoio necessário e, como adultos assumir a responsabilidade acrescida de garantir a sua integridade física e psicológica.
Quando educamos no princípio da Responsabilidade Pessoal ensinamos a criança a assumir responsabilidade pelas suas emoções, pelas suas ações e pelas suas escolhas. Ajudamos a desenvolver um conjunto de habilidades que serão extremamente importantes nos anos da adolescência. Quanto mais conseguirem assumir a sua responsabilidade pessoal, menos serão vítimas da influência e pressão dos outros.
Nesta fase percebemos como uma adolescência saudável começa a ser trabalhada, sem dúvida, na infância e como é importante todo o trabalho feito com a criança na promoção de uma autoestima saudável, no investir na qualidade da relação e no educar a criança para ser emocionalmente inteligente!
Um adolescente com uma autoestima saudável sabe dizer que não quando é necessário, sabe exprimir os seus limites pessoais, ser mais autónomo e mais facilmente lidar com as suas emoções. 
 
Não tenho soluções milagrosas, todos os dias são para mim uma aprendizagem, mas posso deixar-vos algumas sugestões/reflexões que espero vos ajudem como me tem ajudado a mim.

  1. Escuta o que o teu filho tem para dizer (escuta verdadeiramente…).
  2. Não trates o teu filho nem como criança nem como adulto (não é nem uma coisa nem outra).
  3. Faz atividades ou experiências novas em conjunto (experimenta com ele).
  4. Dispõe-te a aprender algo com eles (tem tanto para nos ensinar…)
  5. Não resolvas os seus problemas, ajuda-o a chegar à solução (ouve, pergunta e orienta).
  6. Não faças comparações com os amigos ou familiares (cada um é único e tem o seu ritmo).
  7. Dá-lhes responsabilidade e define limites com consciência (educa para a responsabilidade pessoal).
  8. Pratica amor incondicional e conexão!!! (mostra que o amas em qualquer situação 😊).

Quando o teu filho resiste à tua mensagem pergunta-te
”O que posso mudar na minha comunicação para gerar mais conexão?”

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